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Satélites Starlink deixam astrônomos preocupados

Matéria publicada em 20 de junho de 2019, 11:20 horas

 


Turistas poderão ir para a ISS ao custo de 35 mil dólares por noite

Por Jorge Luiz Calife

Novidade: Dragon vai levar turistas para o espaço
(Foto: DragonToasted3)

Como era esperado, a União Astronômica Internacional (UAI) demonstrou sua preocupação com os projetos de redes de satélites. No mês passado, um foguete da Space X lançou 60 satélites Starlink de uma rede de telefonia celular. Outras empresas, como a Amazon e o Facebook, também planejam colocar milhares de satélites na órbita baixa, que fica em torno dos 300 e 400 quilômetros de altura. Além de poluir o céu, interferindo com o trabalho dos astrônomos, as redes de satélites comprometem os planos de empresas que querem investir no turismo no espaço. Já que aumenta o risco de colisão entre um satélite e uma espaçonave tripulada.

O comunicado da UAI diz: “Nossa organização adota o princípio de um céu escuro e silencioso, na faixa do rádio, não apenas como essencial para o progresso da nossa compreensão do Universo, do qual fazemos parte, mas também como um recurso que pertence a toda a humanidade além da proteção da vida selvagem noturna.” E acrescenta: “Não podemos prever o impacto de milhares de satélites visíveis, espalhados pelo céu noturno, e, apesar das boas intenções essas constelações artificiais são uma ameaça.”

A rede Starlink vai ser formada por mais de mil satélites destinados a levar a internet para as regiões mais pobres do planeta. Além dela existem as redes Iridium, Globalstar e OneWeb. E encontram-se em projeto a rede Athena, do Facebook, e o projeto Kuiper, da Amazon. Esses projetos podem elevar o número de satélites em orbita baixa, dos 200 atuais para um número de cinco dígitos, ou seja, algo em torno de dez a cinquenta mil satélites.

O reflexo desses satélites pode comprometer a fotografia de galáxias e estrelas distantes. Além de criar uma balburdia na faixa de rádio, que vai tornar a radioastronomia impraticável. A UAI cita o projeto Horizonte de Eventos, que conseguiu fotografar um buraco negro em uma galáxia distante, como o tipo de projeto que pode ser tornado impraticável devido à interferência dos satélites de internet e telefonia celular.

E tem o problema do lixo espacial. Com dez mil ou vinte mil satélites orbitando a Terra, o risco de colisão com naves espaciais aumenta e muito. O que afeta empresas como a Space X e a Virgin Galactic, que estão investindo em naves comerciais e projetos de turismo. Na semana passada, a empresa Bigelow Aerospace, de Las Vegas, anunciou que pretende começar a levar turistas para a Estação Espacial Internacional. A empresa já reservou quatro voos da cápsula espacial Dragon Crew, que deve começar a voar no final deste ano.

Cada turista espacial vai desembolsar em torno de 52 milhões de dólares e poderá ficar de um a dois meses lá em cima. Ao contrário dos hotéis aqui da Terra, a ISS fica bem isolada no espaço e as naves russas de transporte, as Soyuz, costumam ir até lá de seis em seis meses. Com a entrada em operação da Dragon Crew, os voos devem aumentar de frequência. Mas mesmo assim as visitas da nave de transporte serão intercaladas por períodos de 30 a 60 dias.

O governo americano anunciou recentemente que pretende comercializar a sua parte da ISS, abrindo a estação espacial para empresas comerciais interessadas em exercer atividades lá em cima.
Outra empresa calculou que uma noite na ISS vai ficar em torno de 35 mil dólares, uma diária um bocado cara. E o turista não pode desistir e pedir as contas no dia seguinte, como acontece na maioria dos hotéis. Ele vai ter que ficar lá durante semanas, esperando a chegada da próxima nave. Mesmo assim não faltam candidatos.

Já existe uma empresa, a Space Adventures que levou vários turistas para a ISS usando as naves russas Soyuz. O empresário americano Charles Simonyi já esteve lá em cima duas vezes.


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2 comentários

  1. Avatar

    Desse jeito vamos chegar ao futuro do mangá “Planetes”, do Makoto Yukimura, que descreve uma equipe de astronautas responsáveis por recolher milhões de detritos da órbita da Terra. Mais um problema que legaremos às próximas gerações.

  2. Avatar

    Ai meus Deus!…Essa máquina metálicas voadoras, satélites e os ônibus espaciais privados, tudo voando sobre nossas cabeças…AI Meu Deus, lá em cima não tem sinal de transito, e não dá para parar assim tão rápido. É torcer para que esses milhares de aparelhinhos voadores não se choquem…Mas pensando melhor, torcer e ficar atento a um sinal no celular em caso de colisão, ai diante desse sinal de alerta, voce entra num shopping ou num supermercado até ter certeza de onde cairão os granitos de aço, do espaço, aquecidos, cortantes ou voltaremos à idade média, usemos armaduras. Afinal 300 Km e pertinho demais sô!

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