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Secretaria debate violência contra a mulher

Matéria publicada em 2 de dezembro de 2018, 12:05 horas

 


Tenente da PM revela que um dos grandes obstáculos para combater problema diz respeito às mulheres que registram queixa e depois retiram

Encontro na CDL de Barra Mansa discutiu violência sofrida por mulheres no dia a dia com os maridos (Foto: Chico de Assis) 

Barra Mansa – Relatos de que mulheres são trancadas no armário da cozinha pelo marido e de outras tantas que são agredidas fisicamente e verbalmente no dia a dia fizeram parte da roda de conversa realizada pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, na quinta-feira (29) no auditório da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

Com os temas ‘enfrentamento a violência contra as mulheres’ e a ‘Casa Abrigo Regional de Permanência Breve Deiva Ramphini Rebello’, o encontro reuniu profissionais do Creas, Cras, Conselho Tutelar, Lar Acolhedor, UPA, Serviço de Atendimento Domiciliar, Polícias Civil e Militar, Secretaria de Saúde, Hospital da Mulher, UPA e Centro POP, na perspectiva de aprofundar as discussões sobre políticas públicas de combate a violência doméstica.

O encontro foi aberto pela secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Ruth Coutinho, a Rutinha.

– A vítima acredita, ou pelo menos, tenta acreditar que foi só aquela vez e que não vai acontecer mais. No entanto, a situação se torna cotidiana, destrói a família, acaba com a autoestima da mulher e afeta seus filhos. São esses tipos de casos que chegam até os profissionais que atuam diretamente no enfrentamento a violência doméstica que auxiliam na construção de novas perspectivas de vida. Nesse contexto, precisamos fortalecer a rede de atendimento à mulher, inclusive da Casa Abrigo Regional. A lei Maria da Penha está aí. São 12 anos da sua implantação. É considerada uma das melhores leis no mundo na coibição à violência contra a mulher e, ainda assim os números de agressões continuam crescentes – ponderou a secretária.

Números

Rutinha ainda citou os números da violência em 2017 e 2018. “Ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, foram registrados um homicídio doloso contra a mulher, 16 tentativas de homicídio, 367 lesões corporais, 41 estupros, três tentativas de estupro e um caso de assédio sexual. Este ano, de acordo com o Creas, até o momento, já são 33 casos registrados, três de violência física, sete de violência física/ psicológica, 14 de violência psicológica, dois de abuso sexual, três de negligência, um de violência psicologia patrimonial, um de violência psicológica financeira e um de violência sexual. Mas os números não correspondem a realidade. Há muitos casos que não chegam ao conhecimento dos equipamentos públicos que atuam na defesa da vida da mulher devido à falta da formalização da denúncia”, disse.

Presente ao evento, o chefe do Setor de Inteligência da 90ª DP, Alexandre Ribeiro, explicou o procedimento de atendimento à mulher vítima de violência doméstica.

-Quando elas chegam à delegacia fazemos o boletim de ocorrência e, dependendo da situação, encaminhamos para a Santa Casa ou a UPA a fim de realizarem o Boletim de Atendimento Médico. É um documento de comprovação dos fatos. Na sequencia, a vítima é encaminhada para o IML, em Três Poços, na divisa entre as cidades de Volta Redonda e Pinheiral. Muitas delas sequer têm dinheiro para pagar a passagem de deslocamento até o órgão, o que acaba comprometendo o encaminhamento do processo ao Ministério Público – detalhou Alexandre.

A tenente Suellen Bazone, da 2ª Companhia do 28 BPM (Batalhão da Polícia Militar), relatou que um dos grandes obstáculos diz respeito às mulheres que registram queixa e depois, querem desfazer o ato. “Em pelo menos 80% dos registros acontece esse tipo de situação. É um ciclo danoso, que vai minando a autoestima da mulher”, destacou a tenente.
O coordenador do Creas, Célio Carlos de Oliveira, expôs pontos polêmicos da atuação do órgão.

-O Creas e o Cras não são órgãos de segurança e sim, de assistência a vitima. No entanto, muitas vezes passamos por situações em que a mulher precisa voltar a sua casa para pegar roupas ou documentos e o seu acompanhamento recai sobre os nossos profissionais. Também precisamos estabelecer uma relação mais próxima dos órgãos de segurança para que os casos registrados cheguem para o Creas e o Cras a fim de que possamos fazer o acolhimento dessas mulheres e, quando necessário o encaminhamento para a Casa Abrigo – disse.

Abuso de poder

A coordenadora da Casa Abrigo Regional de Permanência Breve Deiva Ramphini Rebello, Renata Medeiros Lacerda, explicou que o órgão atende as vítimas de violência doméstica em caráter temporário, todas vítimas do abuso de poder. “Em março deste ano, oito municípios – Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Quatis, Porto real, Resende, Pinheiral e Vassouras – assinaram um protocolo de intenções de concessão de um servidor para atuar na Casa Abrigo. Desde então, o órgão já atendeu a seis mulheres em situação de risco de morte. Duas delas estavam acompanhadas de seus filhos”, explicou.
Para Renata, o grande desafio dos profissionais que prestam assistências às mulheres violentadas por seus maridos ou companheiro é a dependência financeira, associada à falta de opção de moradia.
-Ainda temos muito que avançar na construção de políticas públicas para atender as vítimas desse tipo de violência – concluiu.


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