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Setor de transporte coletivo da região está em risco de colapso

Matéria publicada em 16 de abril de 2021, 18:34 horas

 


Pandemia de Covid-19 leva a falta de subsídios, excesso de gratuidade e redução de passageiros

Empresas de ônibus estão em dificuldade e setor pode ter colapso na região
Foto: Paulo Dimas

Sul Fluminense – Com a crise provocada pela pandemia do coronavírus, várias cidades no Brasil estão discutindo de forma mais ampla seus efeitos sobre a saúde e os serviços essenciais prestados à população, como o de transporte coletivo. Há municípios, porém, que tratam o tema como pauta secundária, um dos setores mais afetados pela crise.

Nesse momento em que a pandemia chega a números altíssimos de infecções, muitas cidades estão ajudando a custear o transporte coletivo para garantir a continuidade da operação e também reduzir o nível de ocupação dos ônibus. O cálculo tarifário realizado nos sistemas de transporte Brasil afora considera o número total de passageiros pagantes para se chegar ao valor da tarifa. Quando ocorre grande redução na quantidade desses passageiros, o serviço fica sem sustentação.

Todos os sistemas de transporte urbano, não só no Brasil, são projetados para transportar passageiros em pé, porém quando existe uma necessidade de reduzir a ocupação nos coletivos é preciso se fazer uma compensação para que o serviço não entre em colapso.

Essas ações para garantir que não ocorra o esgotamento do sistema e compensar a falta da demanda já estão sendo feitas em várias cidades como: Blumenau/SC, Campina Grande/PB, Pouso Alegre/MG, Uberlândia/MG, Campinas/SP, Goiânia/GO, Botucatu/SP e Taubaté/SP.

No município Taubaté, por exemplo, sem que houvesse alteração na tarifa, a prefeitura triplicou o valor do subsídio pago para a ABC Transportes, que presta o serviço de transporte público, de R$ 0,50 para R$ 1,50 por passageiro.

Em Botucatu, o governo municipal é responsável por pagar até R$ 0,25 da tarifa por passageiro. “Entendendo o momento delicado que todos estamos passando nessa pandemia. Mais uma vez nos esforçamos, com recursos do tesouro municipal, para manter a tarifa do transporte e não criar novos custos ao cidadão. Por força de contrato, somos obrigados a promover um reajuste anual, mas novamente não repassaremos isso aos botucatuenses que precisam do transporte”, afirmou o prefeito de Botucatu, Mário Pardini.
Na região Sul Fluminense, somente os governos de Itatiaia e Porto Real ajudam a cobrir os custos do transporte coletivo, onde uma parte da tarifa é paga pelo passageiro e a outra pelo Município. Para se ter uma ideia do tamanho da crise no setor, as empresas não estão conseguindo efetuar o pagamento de salário para seus colaboradores desde Fevereiro de 2021.

— É urgente uma discussão ampla para tratar do tema. As empresas estão fazendo o necessário para se adaptar aos decretos e às necessidade do usuário, mas sem subsídios a situação está passando de uma crise para um colapso e nos aproximamos de uma possibilidade de inoperância — disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Barra Mansa e Volta Redonda (Sindpass), Paulo Afonso.


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2 comentários

  1. Avatar

    Hoje a frota de carros é 4x maior que nos anos 80, ou seja, leia-se que tem bem menos gente usando ônibus hoje do que antes, mas a frota de ônibus é praticamente a mesma. Há menos passageiros por ônibus, considerando que a população não aumentou na mesma proporção que a quantidade de carros e motos nas ruas… Lembro que nos anos 80 só tinha dois bancos na frente reservados para os idosos, e eles nem eram marcados. Muitas vezes não eram ocupados, porque a população idosa era MUITO MENOR que hoje, o Brasil era um país de jovens…

    Idoso anda de graça, isso precisa ser revisto. Ser idoso não é mais a exceção, já está virando regra, e como tal a gratuidade deveria ser apenas para aqueles abaixo de determinada faixa de renda e precisariam comprovar a necessidade dos deslocamentos. Num país sério, seria assim. Se o idoso não paga, alguém paga para ele, seja os outros passageiros (via reajuste da tarifa), seja o poder público, mediante subsídio, que indiretamente acarretaria em impacto no orçamento público… Empresas de ônibus do Brasil todo estão passando por dificuldades, não por acaso as que estão se mantendo em melhor situação são aos do setor rodoviário interestadual e intermunicipal de longo curso, onde não há tanta gratuidade…

  2. Avatar

    Não entendo…a linha intermunicipal 720 Cerâmica …so anda lotada…aglomeração sempre…venham conferir.

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