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SindPass afirma que transporte público tem que ser visto como solução na pandemia

Matéria publicada em 23 de abril de 2021, 16:10 horas

 


Sul Fluminense – O SindPass, que representa as empresas de transporte coletivo da região, emitiu nota em que afirma que a atividade é essencial para o bom funcionamento da sociedade e que, no momento da pandemia, precisa ser tratado como parte da solução e não do problema. Na nota, o sindicato apresenta necessidades do setor a sugere possíveis soluções.

 

Veja a íntegra da nota:

 

O setor de Transporte Público de Passageiros é reconhecido desde sempre como de extrema importância para o bom funcionamento da sociedade, com relevante função social uma atividade essencial.  Diante disso, em tempos de pandemia, precisamos encarar e principalmente tratar o serviço prestado como parte da solução e não do problema.

Há reclamação sobre o nível de ocupação dos coletivos. No mundo todo, os sistemas de transporte público urbano são projetados para transportar passageiros em pé nos horários de pico e os próprios equipamentos, seja ônibus, metro ou trem, possuem uma capacidade de passageiros nestas condições.

Quando há necessidade de reduzir essa ocupação, é necessário se fazer uma compensação, porque qualquer alteração do sistema impacta diretamente na tarifa quando não há nenhum tipo de subsídio.

1 – Economia e Saúde andam juntos no sistema de transporte público

Em um momento em que boa parte do mundo se divide entre questões sanitárias e econômicas, nos cumpre informar que nosso trabalho une essas duas vertentes. Isso, por si só, destaca a importância do serviço e das pessoas que o prestam à sociedade.

É através do Sistema de Transporte Público de Passageiros, por exemplo, que a maioria das pessoas carentes pode acessar a Rede Pública de Saúde. Além disso, por diversas razões, o setor é importante peça na cadeia econômica municipal.

Podemos elencar três apenas destas razões econômicas, que são as mais óbvias aos olhos de todos:

– Conduz milhares de pessoas diariamente aos seus postos de trabalho;

– É responsável por interligar os bairros aos principais centros comerciais da cidade;

– O sistema de Transporte Público é, ele próprio, um grande gerador de emprego e renda com seus funcionários e veículos;

2 – Funcionários são antes de tudo cidadãos

Sendo assim, o sistema de Transporte Público e seus diversos representantes precisam estar inseridos – de forma lúcida e prática – nos debates que cercam o momento do país e de Volta Redonda no enfrentamento à pandemia do Novo Coronavírus.

É preciso um olhar atencioso para que todos aqueles que trabalham direta ou indiretamente com o transporte coletivo de passageiros sejam vistos antes de tudo como cidadãos. Sendo assim, precisam sobreviver, receber seus salários em dia e alimentar suas famílias.

O colapso do transporte coletivo traria efeitos ainda mais lamentáveis para um momento que já é tão difícil para toda a sociedade. Nas condições que o serviço está sendo operado atualmente, estão em risco cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos. Sem falar no caos que seria deixar milhares de pessoas sem a capacidade necessária de locomoção.

3 – Principais dificuldades

Existem fatores que interferem diretamente não só no custo, mas também na operação como: inúmeras concessões de gratuidades, falta de prioridade para o transporte coletivo nas vias públicas, carência de modernização do sistema e excesso de tributação não só da atividade mas também dos insumos que são utilizados nela. O aumento do óleo diesel passa de 27%  neste ano, que mal começou.

Existem inúmeras dificuldades que o setor vem enfrentando há anos, mas a maior delas é que o custo total do serviço é pago apenas pelo passageiro na maioria das cidades brasileiras, o que vem contribuindo e muito para elevar o valor das tarifas.  Para piorar o cenário das empresas, em Volta Redonda, a cada 10 passageiros que embarcam no coletivo apenas 7 pagam a passagem, isso por conta das várias concessões de gratuidade sem a devida fonte de custeio, ou seja, o passageiro “pagante” atualmente banca os gratuitos.

4 – Soluções apontadas

Atualmente um dos maiores desafios para as administrações públicas municipais e estaduais é justamente compatibilizar as necessidades de deslocamentos da população, os custos de realização dos serviços e a capacidade de pagamento da tarifa por parte dos usuários.

Propomos no médio prazo a discussão de outras formas de remuneração do serviço de transporte, como já é feito em algumas cidades, onde o sistema é custeado também por receitas extra-tarifárias, seja pelo valor cobrado pelo estacionamento dos automóveis, por subsídios orçamentários e/ou por parte do valor do IPTU.

No curto prazo, precisamos de imediata correção nos valores atualmente praticados nas tarifas. Desta forma, poderemos discutir ações e atitudes de maneira mais consciente, sem o fantasma do desemprego e da falência batendo à porta. Com uma decisão justa, os mais de oito mil empregos serão garantidos, assim como os serviços que temos de prestar terão a eficiência desejada. Mais que isso: poderemos dar melhores condições a nossos passageiros.


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