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Solidariedade faz bem a quem recebe ajuda e a doadores

Matéria publicada em 23 de junho de 2019, 17:45 horas

 


Moradores de Barra Mansa afetados por enchentes relatam ajuda que tiveram após perderem quase tudo

Enchente de maio deixou rastro de destruição e perdas em bairros de Barra Mansa
(Foto: Arquivo DV)

Barra Mansa – As chuvas e a enchente que marcaram o meio de maio em Barra Mansa trouxeram à tona um sentimento que, infelizmente, só costuma chegar diante das tragédias. A solidariedade para ajudar os mais afetados foi um alento diante de tanto estrago. O DIÁRIO DO VALE conversou com as duas pontas do mesmo caso e há uma constatação: a ajuda faz bem para quem dá e para quem recebe.

Moradora do bairro Bocaininha, Andreia Nascimento de Almeida Castilho sabe muito bem o que é depender da ajuda e da sensibilidade de outras pessoas diante de uma situação difícil. Ela convive com enchentes desde os tempos de criança, mas desta vez chegou a perder até mesmo parte do terreno. Como a casa tem dois andares, ela conseguiu salvar alguns pertences. Por outro lado, Andréia trabalha como voluntária no abrigo ‘Lar de Jesus’, que ajuda pessoas em situação de rua em Barra Mansa. E observando vizinhos que não tiveram a mesma sorte que ela, ela resolveu arregaçar as mangas.

– Ao perceber que muitas pessoas realmente precisavam de ajuda, comecei a pedir doações às pessoas que passavam na rua. Principalmente para quem só ficava olhando e tirando fotos, sem fazer nada. Inconformada, resolvi colocar uma placa na porta de casa solicitando doações e aos poucos as pessoas foram se sensibilizando e ajudando. Também acolhi duas famílias em minha casa, totalizando seis pessoas. É muito bom ajudar ao próximo, me faz sentir mais importante. Foi gratificante – afirmou ela, que conseguiu arrecadar roupas, colchões, alimentos e até móveis.

A última enchente que atingiu Barra Mansa também sensibilizou a comerciante Mirian Novaes Abreu, dona de um restaurante.

-Apesar de trabalhar na Pastoral de Rua na comunidade de Santo Antônio, me sensibilizei com o grande número de pessoas desabrigadas e que perderam tudo com as chuvas. Achei que tinha que fazer algo. Foi quando comecei a pedir donativos para as vítimas da enchente às pessoas que conhecia pelo WhatsApp. Em pouco tempo comecei a receber de tudo em minha casa, onde aos pouco fui me organizando com amigos e vizinhos disse ela, orgulhosa.

A auxiliar administrativa Marcella Albrigo, que trabalha na Cruz Vermelha de Barra Mansa, acredita que as pessoas ficam mais solidárias e emotivas quando ocorrem grandes tragédias. Segundo ela, isso faz com que as doações e a ajuda humanitária cresçam durante as campanhas de doações promovidas pela Cruz Vermelha.

– Logo após as chuvas terem arrasado alguns bairros da cidade, a Cruz Vermelha de Barra Mansa iniciou uma campanha de arrecadação de donativos para as vítimas. Montamos um espaço na Praça Largo Nossa Senhora da Glória e lá permanecemos algumas semanas recebendo doações. Na época, também criamos um grupo de voluntários só para esta campanha, formado por alunos de nossos cursos e pessoas de fora. No início, a adesão do público não foi muito grande, mas aos poucos as doações foram aumentando – afirma.

Divulgação ajuda

Segundo a psicóloga Bruna Buarque da Silva, grandes tragédias causam grandes proporções de divulgação e visibilidade do problema. Isso, segundo ela, facilita a comoção popular, com a mídia tendo papel significativo. A comunicação e a maneira de divulgar a notícia têm grande impacto na forma como as pessoas percebem as catástrofes.
Por outro lado, a psicóloga afirma que depois das notícias ‘desaparecerem’ dos jornais e outros meios de comunicação, o espírito solidário em geral também some. Para a psicóloga, ser solidário faz bem, promove autoestima e desenvolve a nossa capacidade de empatia, que nada mais é do que a capacidade de se se colocar no lugar do outro sem julgamentos; é deixar “de lado” suas experiências pessoais a fim de compreender o outro em sua dimensão, em sua totalidade.


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Um comentário

  1. Avatar

    Como diria Francisco de Assis: “É dando que se recebe!”…

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