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Sonda Parker ruma para o Sol

Matéria publicada em 16 de agosto de 2018, 08:00 horas

 


Missão procura origens do vento de partículas solares

Com uma decolagem perfeita, na madrugada de domingo (12), a sonda solar Parker partiu ao encontro do Sol. Para chegar lá, a sonda de 1,5 bilhão de dólares vai usar a força da gravidade do planeta Vênus para atingir a velocidade final de 700 mil km/h. Impulsionada pelo foguete Delta Heavy, o mais poderoso da NASA, a nave tomou o rumo de Vênus, aonde deve chegar dentro de seis semanas. Numa manobra chamada de “ajuda gravitacional”, a nave vai ser retardada pela gravidade do planeta, iniciando uma série de voltas em torno do Sol que a levarão cada vez mais perto da estrela que é a fonte da vida na Terra.

Quando eu era estudante do segundo grau, meus colegas se divertiam com uma piada cretina sobre uma missão ao Sol. Falavam de uma reunião da Associação Internacional de Astronáutica, onde representantes de vários países anunciavam seus projetos. Os americanos queriam ir a Marte, os russos planejavam uma missão a Vênus. Os japoneses apresentavam planos para uma missão as luas de Júpiter. De repente o representante de um país obscuro, a Esbórnia, chegava e anunciava uma missão ao Sol, para perplexidade geral. “Mas como vocês vão se proteger daquele calor infernal?” Perguntavam os cientistas. E o cientista esborniano respondia: “Simples, iremos de noite!”.

A realidade já superou até as antigas piadas. Não é que a sonda para o Sol decolou de noite, ou, mais precisamente, por volta das quatro e meia da madrugada de domingo. Mas porque uma nave destinada ao Sol decolou na escuridão da madrugada? Porque ela precisa partir numa “janela de lançamento”, de modo a encontrar o planeta Vênus daqui a seis semanas. Além disso, ao partir da Terra a nave precisa evitar os cinturões de radiação Van Allen, o que reduz ainda mais o período do dia em que ela pode ser lançada com sucesso.

Naves espaciais não decolam apontando diretamente para seus objetivos, já que elas seguem uma trajetória curva, moldada pela gravidade do Sol e dos planetas. Não importa se na hora do lançamento o Sol e o planeta Vênus estavam escondidos, do outro lado da Terra, a pequena nave, do tamanho de um carro, vai encontrar seu caminho até lá.

Se tudo correr bem, a Parker vai passar por Vênus sete vezes, reduzindo sua órbita até entrar na coroa, parte mais externa da atmosfera do Sol. Onde terá que enfrentar uma temperatura de 1370 graus centigrados. Para resistir ao calor, a nave é equipada com um sistema de refrigeração, a água pressurizada e um escudo de fibra de carbono, que age como uma sombrinha protegendo do calor e da radiação que poderiam destruir seus instrumentos em poucos segundo.

A nave recebeu o nome de Sonda Solar Parker, em homenagem ao físico Eugene Parker, que previu a existência do “vento solar” num trabalho científico publicado em 1958. É a primeira vez que a NASA, agência espacial americana, batiza uma nave espacial com o nome de um cientista ainda vivo. Hoje aposentado, Eugene Parker foi levado a Cabo Canaveral para assistir ao lançamento da sonda que leva seu nome.

A origem do vento solar é um dos mistérios que a Parker vai tentar solucionar. O vento solar é um fluxo de partículas atômicas que parte do Sol e passa pelos planetas com a velocidade de 400 quilômetros por segundo. Mas perto da superfície do Sol esse vento não existe. A sonda vai tentar descobrir onde, exatamente ele se forma. Outro mistério é a temperatura da coroa solar. Na superfície do Sol as temperaturas oscilam em torno dos 5.500 graus centígrados. Mas na coroa solar, acima, elas chegam a um milhão de graus. Felizmente para a sonda espacial a coroa é muito rarefeita, e esta temperatura (Que é a medida da velocidade das moléculas) não será problema para ela.

Ao se aproximar do Sol a Parker vai atingir uma velocidade de 700 mil quilômetros horários. O suficiente para ir ao Rio a São Paulo em quatro segundos, mas ela só pode atingir essa velocidade no vácuo do espaço, onde não existe atrito.

Por:  Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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