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Todo herói precisa de um vilão

Matéria publicada em 22 de abril de 2019, 16:55 horas

 


Thanos toma o lugar de Darth Vader na cultura pop

Na semana de estreia do longa, e bota longa nisso, “Os Vingadores:Ultimato”, o vilão Thanos é um dos personagens mais comentados entre os nerds e os fãs de quadrinhos. Depois de derrotar os Vingadores no episódio anterior, “Guerra Infinita”, o gigante azul definitivamente tomou o lugar do Darth Vader como o malvado mais famoso da ficção. O que também reflete a decadência da franquia Star Wars sob o comando da Disney. Afinal não dá para levar a sério aquele ridículo Kylo Ren dos últimos filmes.

Thanos tornou-se o vilão referência da geração atual de fãs do cinema. Ele surgiu da tentativa da Marvel de imitar o universo de Guerra nas Estrelas, ou seja, a saga dos “Guardiões da Galáxia”. E que acabou ficando melhor do que o original. Mas é assim mesmo. Cada geração tem o seu vilão característico já que o cinema vai renovando e reciclando os antigos temas da luta do bem contra o mal.

No tempo dos nossos avós o grande vilão da ficção científica era o imperador Ming, do planeta Mongo, que atormentou a vida do herói Flash Gordon. Como no caso dos “Vingadores”, Flash começou com uma história em quadrinhos de sucesso. Um sucesso tão grande que foi adaptada para o cinema na mesma década de 1930, quando estreou nas páginas dos jornais. Sem Flash Gordon não existiria Star Wars, já que a saga dos jedis surgiu da frustração do cineasta George Lucas, quando foi impedido de filmar uma versão moderna do herói dos anos 30.

Em 1936 o diretor Frederick Stephani dirigiu um seriado de sucesso mostrando a luta do Flash Gordon contra o imperador malvado de Mongo. Ming era a personificação do medo que os americanos tinham dos orientais, principalmente chineses e japoneses, medo que se materializou em Pearl Harbor. Até o nome é tirado de uma dinastia de monarcas do antigo império chinês. Mas ao contrário do Thanos, Ming não queria destruir fisicamente seus oponentes. Ele preferia escraviza-los com uma série de máquinas de controle mental. E como os heróis modernos, Flash Gordon percebia que sozinho não conseguiria derrotar o super vilão e montava um time de heróis para derrubar o tirano.

Em 1936 ainda não existia televisão e as pessoas iam ao cinema para assistir aos seriados. Mas com o surgimento da TV, na década de 1950, os antigos seriados do cinema conquistaram um novo público.

Entre eles estava o jovem George Lucas, que cresceu vendo a antiga série do Flash Gordon na televisão. Assim que se formou na escola de cinema, da universidade da Califórnia, Lucas relembrou sua antiga paixão. Ele achava que seria fantástico refazer Flash Gordon com os efeitos especiais modernos, mas os detentores dos direitos autorais não acreditaram na capacidade do jovem diretor. Frustrado, Lucas criou Guerra nas Estrelas, que foi um dos maiores sucessos da história do cinema. E como não era mais politicamente correto ter um vilão oriental, Lucas criou Darth Vader.

Vader apareceu nas telas em 1977 e se torno o ícone de uma nova geração de fãs de cinema. Um gigante de mais de dois metros de altura, todo vestido de preto, com um capacete nazista e uma máscara que imita uma caveira estilizada. E para tornar tudo mais sinistro Vader é um ciborgue, um ser metade homem, metade máquina, que respira através de um pulmão artificial.

Vader reinou supremo durante duas décadas, até ser desmoralizado pela versão Hayden Christensen do episódio três, “A vingança dos Sith”. E agora temos Thanos, um gigante azul que conseguiu matar metade da população do universo, o que não é pouca coisa não. E para derrota-lo será necessário juntar o que sobrou dos Vingadores num filme de mais de três horas de duração.


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