sábado, 27 de novembro de 2021 - 20:24 h

TEMPO REAL

 

Capa / Nacional / UPP proíbe festa de Natal em comunidade no Rio, por falta de autorização

UPP proíbe festa de Natal em comunidade no Rio, por falta de autorização

Matéria publicada em 25 de dezembro de 2016, 10:51 horas

 


Rio – A tradicional festa de Natal em uma das comunidades mais pobres do Rio, a favela Mandela 2, na zona norte, este ano pôde não acontecer. O motivo, segundo o presidente da associação de moradores, Francisco de Assis, é a proibição por parte da comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, major Paula Andressa das Chagas Frugoni, de que haveria necessidade de pedir autorizações ao Corpo de Bombeiros e também a 21ª Delegacia de Polícia. As informações são da Agência Brasil.

Francisco argumentou que a UPP foi comunicada da festa há 15 dias e somente na quinta-feira  (22) se posicionou sobre o pedido tornando praticamente impossível conseguir as demais autorizações, porque as repartições estavam em ritmo de recesso natalino. Ele lamentou a proibição da festa, que é feita ao ar livre com a participação de centenas de pessoas, instalação de pula-pula, distribuição de brinquedos e refrigerantes para as crianças.

“A major não liberou, e a maioria das comunidades vai ter eventos, só nós é que não. Fica chato. Ela alegou que tem de seguir um decreto, pedir autorização da 21ª DP, da prefeitura, do batalhão e dos bombeiros. Só que ela falou com a gente na quinta-feira (22), quando nós fomos lá falar do projeto. Como é que a gente vai fazer isso na quinta-feira, sabendo que a maioria dos órgãos está com os expedientes praticamente encerrados, devido ao Natal?”, questionou Francisco.

O presidente da Mandela 2, disse que na comunidade do Arará, também subordinada à mesma UPP, a festa natalina foi igualmente proibida, o que está gerando revolta nos moradores e nos demais líderes comunitários da região.

“Todos anos a gente faz a festa. É na rua, como se fosse um baile, a gente comemora. Os moradores vêm para cá, com os seus parentes. Aí como é que faz? Neste ano a nossa comunidade ficou tranquila, justamente por não ter problemas, sem tiroteios, nem tumultos. Ficamos certinhos para ter o evento. Não tinha necessidade de fazer isso. Nós estamos indignados”, desabafou Francisco, que é muito conhecido na região, fazendo o papel de Papai Noel nas creches da comunidade, durante o período de Natal.

Para o presidente da associação, está faltando um pouco de sensibilidade da major ao deixar centenas de pessoas sem a tradicional festa de Natal da comunidade: “Eu falei a ela que era preciso um pouco de bom senso, até porque nós trabalhamos juntos pela comunidade”.

A assessoria de imprensa das UPPs foi procurada e se posicionou em nota sobre a proibição da festa: “As normas para a realização de eventos em espaços públicos estão estipuladas na resolução da Secretaria de Segurança que regulamenta o tema (Resolução nº 013 da Seseg e Resolução conjunta Seseg/Sedec nº 134) e, segundo a comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Arará/Mandela, o evento não atendeu algumas exigências”.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document