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Vivendo nas nuvens

Matéria publicada em 29 de outubro de 2018, 09:00 horas

 


NASA anuncia plano para colonizar Vênus com moradias flutuantes

A agência espacial americana, NASA, anunciou um plano para enviar seres humanos ao planeta Vênus. E, eventualmente criar uma base ou colônia humana no planeta. Vênus, a popular estrela da manhã, sempre foi considerado um local proibido aos humanos. A temperatura da superfície é de 460 graus centígrados, a pressão esmagadora e as chuvas são de ácido sulfúrico. Mas a 50 quilômetros de altura Vênus deixa de ser um inferno e se torna hospitaleiro. A temperatura cai para 20, 30 graus centigrados e a pressão iguala níveis encontrados aqui na Terra.
Daí o plano da NASA, de enviar enormes zepelins tripulados para explorar o planeta do alto de suas nuvens. Com o tempo esses dirigíveis de ar quente seriam expandidos para se tornarem verdadeiras cidades flutuantes Como a “cidade nas nuvens” do filme “O império contra-ataca”. Os moradores dessas “cidades flutuantes” poderiam sair para caminhar nas varandas usando apenas uma máscara de oxigênio e um traje plástico leve. A pressão atmosférica seria igual a existente no alto do monte Kilimanjaro, na África e a temperatura semelhante a de um dia de verão aqui na Terra.
O projeto da NASA se chama HAVOC, sigla em inglês de Conceito Operacional para Altas Altitudes. Na verdade a ideia de explorar a atmosfera de Vênus com balões começou nos anos de 1980, com a missão Vega da extinta União Soviética. Em junho de 1986 duas sondas enviadas para observar o cometa de Halley lançaram balões na atmosfera venusiana. Um dos balões ficou flutuando a 53 quilômetros de altura e percorreu uma distancia de 11.600 quilômetros. Um segundo balão, lançado pela sonda Vega 2 teve um desempenho semelhante.
O projeto HAVOC deve começar com sondas não tripuladas, como os balões soviéticos. Se tudo correr bem será enviada uma nave com astronautas. Essa nave deve entrar em órbita ao redor do planeta e lançar uma capsula com escudo térmico. Depois de perder velocidade nas altas camadas da atmosfera venusiana a capsula se abre e libera o involucro do zepelim, que é rapidamente inflado. Os dois astronautas a bordo começam a pilotar o dirigível por cima das nuvens venusianas, fazendo pesquisas e procurando por vida. Terminada a missão eles retornam para a nave mãe no espaço, usando um foguete com asas, que ficará preso sob o dirigível o tempo todo.
As condições existentes nas nuvens de Vênus podem suportar vida microscópica, e os pesquisadores vão procurar por bactérias e outros tipos de seres minúsculos nas nuvens do planeta. À medida que a tecnologia for sendo aperfeiçoada, balões maiores e capazes de abrigar dezenas ou centenas de pessoas serão lançados nas nuvens de Vênus. A ideia de uma cidade nas nuvens não surgiu com os filmes de Guerra nas Estrelas. Ela foi imaginada pelo arquiteto e futurista americano R.Buckminster Fuller na década de 1960. Fuller procurava saídas para a superpopulação no nosso planeta. E imaginou prédios flutuantes, em forma de tetraedro, flutuando nos oceanos da Terra, e cidades balão, cheias de ar quente, flutuando entre as nuvens do nosso planeta.
A instalação de colônias humanas no espaço tem sido apontada como uma garantia para a sobrevivência de nossa espécie. Caso alguma catástrofe futura destrua a civilização humana na Terra. Na década de 1970, logo depois da chegada do homem na Lua, a NASA e a universidade de Stanford projetaram uma gigantesca estação espacial em forma de roda que poderia abrigar uma comunidade de 1500 pessoas no ponto Lagrange, entre a Terra e a Lua. Essa colônia espacial apareceu no filme de ficção científica Elysium em 2013.
Atualmente há planos de se instalar uma colônia humana no planeta Marte. Mas a atmosfera de Vênus, por ser mais densa, oferece proteção contra a radiação cósmica. Algo que não acontece em Marte.

Por: Jorge Luiz Calife

 


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