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Volta Redonda conta a história de brasileiros que lutaram na 2ª Guerra

Matéria publicada em 8 de julho de 2018, 09:18 horas

 


Memorial dos Ex-Combatentes, no bairro Sessenta, abriga artefatos que retratam a tragédia e a vitória dos praças da FEB

Local abriga peças, fotografias e o armamento usado, que estão abertos à visitação do público no Museu Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes (Foto: Gabriel Borges)

Um grupo de ex-reservistas das Forças Armadas é responsável pelo Memorial dos Ex-Combatentes na Praça Monte Castelo, a Praça do Avião, no bairro Sessenta, em Volta Redonda. O memorial registra a participação dos brasileiros na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), quando nossos soldados foram à Itália lutar contra o nazismo implantado pelo alemão Adolf Hitler e o fascismo do ditador italiano Benito Mussolini. Centenas de militares perderam a vida nesta guerra, em defesa da liberdade e da democracia.

O Memorial dos Ex-Combatentes de Volta Redonda conta a participação dos soldados da cidade e da região que foram à guerra. O local abriga peças, fotografias e o armamento usado, que estão abertos à visitação do público no Museu Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes.

– Todo o acervo ajuda a preservar a história vitoriosa e o sacrifício pela pátria dos pracinhas da FEB, a Força Expedicionária Brasileira – afirma um dos administradores do memorial, o reservista das Forças Armadas, Paulo Gonçalves, de 56 anos. O pai, já falecido, foi um dos ex-combatentes.

Acervo de guerra e indústria do aço

O memorial e o museu estão abertos de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. O visitante encontrará os modelos de uniformes usados pelos pracinhas em tamanho natural, as peças militares desativadas, como modelos de pistola 45, metralhadoras 762.30 e 762.50, cartuchos de balas, munições de canhão, lunetas militares, fotos das embarcações de transporte como Bagé, Cruzador Bahia, Corveta Camaquã.

No museu, um quadro registra os nomes de 189 pracinhas da região que foram à guerra encerrada em 8 de maio de 1945 com a rendição da Alemanha. Os praças eram levados ao Panamá para treinamento com os americanos e depois enviados para as frentes de guerra na Itália.

O reservista Paulo Gonçalves lembra que um acidente na costa brasileira com o Cruzador Bahia foi o responsável por cerca de 400 mortes de tripulantes do navio.

– Eles estavam treinando no navio da Marinha, praticando tiros no mar. O problema é que eles não sabiam que submarinos alemães haviam deixado minas no fundo do mar, naquele trecho do treinamento. Os tiros acertaram as minas e provocaram as explosões que mataram os marinheiros. Foi a maior tragédia em número de vítimas da guerra com a Força Brasileira – destacou.

Quem visitar a Praça do Avião vai se deparar com dois canhões e um avião de ataque de treinamento suspenso na praça. O canhão MK2, calibre três polegadas, de 25 tiros por minuto, tem alcance de 10.973 metros, necessitando de cinco pessoas para armar e preparar o tiro, e um encarregado de direção. Foi fabricado nos EUA e doado pela Marinha do Brasil ao memorial. Este canhão fazia parte do sistema de armas do navio de transporte Custódio de Mello, pesa 3.000kg e foi usado para alvos aéreos e de superfície.

Outra arma comprada pelo País, no total de 100 peças, foi o canhão Vicker’s Armstrong, de 152 mm, fabricado na Inglaterra entre 1917 e 1919, com alcance de 18.200 metros. A sua capacidade era de dois a três tiros por minuto a uma velocidade inicial de 665 metros por segundo. Pesando 7,5 toneladas, este pode ser acoplado a um trator ou veiculo pesado, porque tem dois pneus que ajudam o deslocamento da arma. O Brasil comprou 100 peças para a costa brasileira, de Norte a Sul. No desembarque, uma peça foi perdida, caindo nas águas da Baia da Guanabara.

Em exibição na Praça Monte Castelo, está o avião de treinamento e ataque ao solo fabricado pela Embraer. Ele fazia 871 km/h, com autonomia para combater num raio de 648 km e transportava duas pessoas. A aeronave tem 10,65 metros de comprimento, podia levar bombas leves, metralhadora de 50 polegadas, lança- foguetes e tinha disponibilidade para a instalação de câmaras de reconhecimento fotográfico. As áreas de asas abertas do caça de guerra chegam a 19,35 m2, e o peso total do avião é de 2.474 kg.

Volta Redonda, que comemora 64 anos de fundação em 17 de julho de 2018, deve muito a esses valorosos soldados, porque com a entrada do País na guerra, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, conquistou uma indústria do aço, a Companhia Siderúrgica Nacional, o que favoreceu a construção da cidade e sua emancipação política em 1954. E a partir da fabricação do aço, o Brasil deu um salto imenso para o desenvolvimento, saindo de um país atrasado para uma nação industrial, dizem os historiadores.


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