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E os zumbis invadem Paris

Matéria publicada em 19 de junho de 2018, 08:10 horas

 


Terror francês será exibido no Festival Varilux do Gacemms

Perigo: Os zumbis parisienses atacam

Os zumbis já dominaram o mundo, pelo menos no cinema. A mania, que começou no cinema americano, já se espalhou pelo Canadá, Japão, Inglaterra, Coréia, Tailandia e agora temos um filme francês de zumbis. É “A noite devorou o mundo” que será exibido no sábado, dia 23, no Festival Varilux do Gacemms. No filme a população de Paris vira zumbi e o herói Sam se vê isolado em seu apartamento, como o Charlton Heston em “A última esperança da Terra”. Antes que o leitor me corrija eu sei que “A última esperança da Terra” é um filme de vampiros e não de zumbis, mas dá no mesmo.

Uma coisa a favor do filme do diretor Dominique Rocher é que ele usa pessoas de verdade no papel de zumbis. Naqueles filmes americanos, como “Guerra Mundial Z” e “Resident Evil” os zumbis são feitos por computação gráfica e são todos parecidos. Pelo menos com atores reais fica muito mais convincente. Eu consigo entender porque os dinossauros são tão populares. Mas zumbis? Porque será que as plateias do mundo inteiro gostam de ver heróis e heroínas fugindo de multidões de seres humanos descerebrados? Será o medo de uma epidemia ou de um ataque terrorista com armas biológicas? Não sei, só sei que game, livro ou filme com zumbis é garantia de sucesso e lucro para o autor.

Para quem gosta do gênero, “A noite devorou o mundo” pode parecer meio paradão. É o estilo do cinema europeu, que não é tão frenético como o americano. O herói francês acorda de manhã, depois de uma festa de arromba, e descobre que a população de Paris foi zumbificada. A partir daí ele tem que lidar com a solidão, já que parece ter sido o único sobrevivente, e conseguir arranjar comida e outros itens necessários a sua sobrevivência. Os zumbis ficam tentando invadir o apartamento do herói, como os vampiros no filme do Charlton Heston citado aí em cima. Mas ao contrário do herói americano, que ficava matando vampiros a tiros, o francês aprende a conviver com a população zumbificada. Como na comédia “Zumbilândia” ele descobre que se fingir que é zumbi, os zumbis o deixarão em paz.

O filme não explica o motivo da catástrofe. Terá sido um vírus espalhado por terroristas? Não sabemos, mas o resultado é bem interessante. Talvez “A noite devorou o mundo” seja o primeiro filme de zumbi existencialista. Que só poderia mesmo ser coisa de francês. Originalmente os zumbis pertenciam ao folclore do Haiti. Diziam que os feiticeiros vodus tinham o poder de ressuscitar os mortos e usa-los para atacar seus desafetos. Nas décadas de 1940 e 1950 o cinema americano explorou essa versão sobrenatural dos zumbis.

Quem mudou tudo foi o cineasta americano George Romero com seu “A noite dos mortos vivos”. Neste, e em outros filmes posteriores, os zumbis são criados pela liberação de uma arma química do exército na atmosfera.

Os games da serie “Resident Evil” que foram transformados numa série de cinco filmes, mudaram a origem dos zumbis de química para biológica. Um vírus geneticamente modificado passou a ser a origem dos mortos vivos. Mas há outra possibilidade, que poderia acontecer na vida real. No romance Mayday, de Thomas Block, um avião comercial Jumbo tem a fuselagem perfurada por um míssil, durante um voo sobre o oceano Pacífico. O piloto faz o avião descer para uma altitude mais baixa, mas a ausência de oxigênio provoca danos cerebrais em todos os passageiros e tripulantes. Apenas um passageiro e uma aeromoça escapam ilesos porque estavam nos banheiros que não perderam pressão. E tentam pousar o avião em meio à multidão de zumbis descerebrados.

“Mayday” virou um filme para TV em 2005, mas é mais uma novela de suspense aeronáutico com zumbis. Mas pode existir uma explicação final para tantos filmes de zumbis. Quando saio na rua vejo as pessoas hipnotizadas olhando para as telas dos celulares e me pergunto se já não foram zumbificadas pela internet. O que é tema de um romance, “Celular” do Stephen King.

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