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VR e BM tiveram saques de dinheiro em caixas eletrônicos no escândalo do Ceperj

Matéria publicada em 3 de agosto de 2022, 11:27 horas

 


Segundo o MPRJ, a prática é um indício de fraude e que tantos saques em dinheiro constituem a ‘nítida afronta às normas de prevenção à lavagem de dinheiro’

Volta Redonda e Barra Mansa – Uma investigação civil pública do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) que tem como alvo o Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio, o Ceperj, mostra que saques em espécie em caixas eletrônicos foram feitos também em duas cidades da região: Volta  Redonda e Barra Mansa, além de outros municípios do Estado do Rio.

De acordo com as investigações, mais de R$ 220 milhões em espécie foram sacados pelo Ceperj. Segundo o MPRJ, a prática é um indício de fraude.

Ainda de acordo com as investigações do MP, a prática indica remuneração por mão de obra temporária, já que a maioria recebeu mais de um pagamento. Só que a natureza do serviço prestado não se enquadra na lei que autoriza a contratação temporária no estado. O MP não sabe como eles foram contratados.

Locais em que agências tiveram altos saques por contratados pelo Ceperj:
  • Nova Iguaçu: mais de R$ 7 milhões
  • Barra Mansa: R$ 5 milhões
  • Duque de Caxias: quase R$ 5 milhões
  • Bangu, Zona Oeste do Rio: R$ 4,5 milhões
  • Volta Redonda: R$ 4 milhões

 

 O deputado Rodrigo Bacellar, de Campos, é apontado como um dos políticos donos dos cargos secretos. Detalhe: ele foi secretário estadual de governo até julho.

Entenda o caso

O MPRJ instaurou o procedimento depois que o “UOL” divulgou uma série de reportagens, informando que a quantidade de contratações feitas pelo Ceperj era muito grande e os nomes e as remunerações não eram informadas em qualquer meio oficial do governo.

Os pagamentos da “folha secreta”, aponta o MPRJ, ocorrem na “boca do caixa”, em saques que somam quase R$ 226,5 milhões em espécie circulando, diz a petição inicial, “por fora do sistema financeiro, cuja efetiva destinação será impossível de verificar”, afrontando, assim, as “regras de prevenção à lavagem de dinheiro”. Procurado, o Ceperj não retornou os contatos do GLOBO.

O projeto do Ceperj, a Casa do Trabalhador, investigado pelo MP recebeu R$ 80 milhões de verbas públicas somente este ano. Foram inaugurados 29 espaços públicos pelo governo estadual em diversos municípios do Rio de Janeiro.

Contratações suspensas
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou no domingo (31) Ação Civil Pública (ACP) com pedido de tutela de urgência para que o Estado do Rio de Janeiro e a Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do RJ) se abstenham de contratar pessoal e divulguem todas as contratações e remunerações em seu portal eletrônico.
Ajuizada pela 6ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania, a ação, que tramita na 15ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital, também requer que o Banco Bradesco deixe de cumprir as ordens bancárias de pagamento emitidas pela Ceperj.
“A realização de saques ‘na boca do caixa’ que, no agregado, representem o levantamento de quase R$ 226,5 milhões de reais em espécie implica em um volume incomensurável de dinheiro oriundos dos cofres públicos circulando ‘por fora’ do sistema financeiro, cuja efetiva destinação será impossível de verificar”, diz a petição inicial.
De acordo com a ACP, a partir de 2021, na qualidade de executora de projetos para outros órgãos da Administração Estadual, a Ceperj tornou-se fornecedora de um imenso volume de mão de obra contratada por prazo determinado para diversos órgãos do Estado do Rio de Janeiro, mediante contratação direta por Recibo de Pagamento Autônomo (RPA).
Com isso, houve uma explosão nas despesas empenhadas pela fundação, turbinada em grande medida com as receitas da outorga do leilão da Cedae.  Segundo as investigações, essa explosão gerou despesas mensais de dezenas de milhões de reais para a Ceperj e não foi acompanhada de qualquer medida de transparência.
“Assim, a identificação das pessoas contratadas pela Ceperj para execução dos referidos projetos não está disponível seja no Diário Oficial, seja no portal de transparência do Estado do Rio de Janeiro, e nem mesmo na consulta aos processos administrativos disponibilizados para consulta pública no sistema SEI”, observa a petição assinada pelos promotores de Justiça Eduardo Santos de Carvalho, Gláucia Santana e Silvio Ferreira de Carvalho Neto.
Ainda de acordo com a ACP, a existência de milhares de pessoas físicas sendo remuneradas pelos cofres da Ceperj, sem qualquer informação disponível ao público que identifique os indivíduos contratados ou o valor do pagamento que lhes seria devido, suscitou questionamentos na imprensa acerca da existência de uma ‘folha de pagamento secreta’ com mais de 18 mil cargos, em pleno período pré-eleitoral.
As investigações apuraram que a remuneração desses trabalhadores autônomos sequer é depositada em contas bancárias de titularidade de cada prestador de serviço. “Os valores milionários da ‘folha de pagamento secreta’ são despendidos mediante expedições de ‘ordem de pagamento’, de modo que a remuneração de cada beneficiário é levantada mediante saque de dinheiro em espécie, ‘na boca do caixa’, em agências do banco Bradesco, em procedimento que afronta as mais comezinhas regras de prevenção à lavagem de dinheiro”, dizem os promotores.
Além da  multa ao Governo Estadual, à Ceperj e ao Bradesco em caso de descumprimento da decisão judicial, o MPRJ requer que seja também estabelecida multa pessoal ao presidente do Ceperj no valor de R$ 5 mil por cada contrato celebrado ou pagamento realizado em descumprimento às determinações judiciais a ser imposta.

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