sexta-feira, 21 de setembro de 2018

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O futebol em seu devido lugar

Matéria publicada em 20 de maio de 2018, 08:00 horas

 


A menos de um mês da Copa do Mundo, brasileiros parecem estar menos propensos a esquecerem tudo pelo rude esporte bretão

Intervalo: Copa é um momento para se divertir, não para fugir da realidade (Foto: Arquivo)

Falta menos de um mês para a primeira partida da Copa do Mundo de 2018. E as lojas de artigos esportivos não estão ainda sendo invadidas por multidões em busca da camisa canarinho, as ruas não estão sendo pintadas de verde e amarelo, e, por incrível que pareça, a reportagem sobre a convocação da seleção brasileira no site do DIÁRIO DO VALE está perdendo de goleada em número de comentários para textos sobre as eleições de outubro, a PLR da CSN ou o preço da gasolina em Volta Redonda, só para ficar em três exemplos.
Será que o Brasil deixou de ser o país do futebol? Será que deixamos de ser mais de 200 milhões de técnicos? Vamos ser espectadores tranquilos e garantir a reputação ilibada da mãe do árbitro que deixar de marcar um pênalti a favor da seleção?
O colunista acha que não.
A Copa do Mundo vai ter um público interessadíssimo, torcendo, xingando o juiz, comemorando cada “gol do Brasil!” e ficando triste a cada “gol da Alemanha” (não dá pra esquecer aquele 7 a 1).
Só que, aparentemente, estamos mais realistas em relação ao futebol. Claro que ainda é o esporte mais popular do país, mas acho que estamos tomando consciência de que a seleção ser campeã ou ser eliminada na fase de grupos não vai colocar mais comida na mesa ou fazer diferença no preço da energia elétrica ou na taxa de juros do cartão ou do cheque especial.
Claro que vamos torcer para que o Brasil ganhe a Copa, mas sabemos que essa missão é dos 23 convocados e da comissão técnica. Vai ter palpite, vai ter discussão acalorada sobre futebol, mas aprendemos que não é isso que vai mudar nossa vida.
O que vai mudar a vida de todos nós – e que seja para melhor – é uma mudança de atitude que está começando a se desenhar nas ruas, nas conversas e nas redes sociais.

A Copa faz diferença?

Além de a vitória ou a derrota da seleção não fazerem a menor diferença prática para a grande maioria de nós, quase ninguém faz a menor diferença no resultado das partidas.
O Brasil não vai deixar de ser campeão se você assistir a um jogo com uma cueca diferente daquela que usava no dia do 2 a 0 sobre a Alemanha na decisão de 2002, nem a bola vai entrar no gol do adversário porque você torceu para que isso acontecesse.
E o Brasil não vai ser eliminado caso você se sente no mesmo lugar em que estava no dia do 7 a 1 da Alemanha em 2014.
Além disso, o Brasil não vai ficar melhor se a seleção for campeã, nem vai ficar pior se o time perder.
A seleção brasileira não é o Brasil. É um time que disputa com 31 outros um troféu de melhor seleção do mundo.

O que podemos fazer

Um teólogo alemão, Reinhold Niebuhr, escreveu em 1936 a “Oração da Serenidade”, em que ele pede “a serenidade necessária para aceitar as coisa que não posso modificar. Coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para conhecer a diferença entre elas”. Parece que finalmente estamos aprendendo isso.
Não está ao nosso alcance (a não ser que você seja integrante da comissão técnica da seleção ou um dos 23 do Tite), fazer o time do Brasil ganhar a Copa.
Mas se você fizer o seu trabalho da melhor maneira possível, vai estar contribuindo para que o país como um todo (não apenas a empresa em que você trabalha) seja mais produtivo, mais rico e mais competitivo.
Se você respeitar as leis, e exigir que as autoridades façam o mesmo, vai estar contribuindo para termos um país mais honesto.
Se, além disso, você participar de debates que visem tornar o Brasil mais justo, independentemente do que você acredite que seja isso, vai estar contribuindo para que haja menos pobres ou miseráveis.
Quanto mais de nós forem melhores, mais nosso país vai melhorar.
Se o nosso país se tornar mais rico e mais justo, muito provavelmente nosso futebol vai melhorar. Mas a motivação para fazer o país avançar deve ser mais nobre do que poder ganhar da Argentina na final…

E vamos torcer, que ninguém é de ferro

Situação do Brasil à parte, Copa é Copa. Desta vez, há no ar uma sensação boa de que, em vez de ser uma fuga, a Copa vai ser um intervalo.
É hora de torcer, de gritar, de pular, de se sentir parte de uma imensa torcida. Hora de se divertir, sim.
Entre um jogo e outro, vamos continuar trabalhando e cobrando das autoridades de todos os poderes um Brasil que seja campeão de saúde, segurança, emprego e educação. E se for de futebol, melhor ainda!

22 comentários

  1. Junte a isso a falta de representatividade da seleção.
    Antes os jogadores eram os ídolos dos clubes nacionais, nos quais as torcidas dos times se viam representados.
    Hoje poucos sabem quem é quem na seleção, onde jogam. Daí a falta de interesse.

  2. Nego do cabelo duro

    Smilodon tacinus
    ,o escroto dos escrotos, há uma diferença bem grande em saber escrever e ser arrogante, no seu caso escreve mais ou menos, mad a arrogância realmente é muita.

  3. Excelente crônica. O fator DUREZA também influi, pois enfeitar ruas custa DINDIN, rs.

  4. Smilodon Tacinus – O Emir Cicutiano: Foi o que eu achei também kkkkkkkk

  5. Publicação.

  6. Paixão x razão
    É difícil…
    Meu menino tem 7 e é bom de bola , está no 3 ano , diz que vai ser médico, estuda e tira notas boas…
    A razão fala mais alto para desespero dos professores da escolinha de futebol…

  7. Alguns comentários são risíveis, beirando ao surreal. É como misturar canjica c sarapatel.

    O jornalista só colocou o ponto de vista dele, q por sinal é a mais pura realidade, o qual explica, implicitamente, q acabou o ufanismo, ai me aparecem uns loucos de plantão, alguns, lunáticos, já bem conhecidos, p dissertar sobre os malefícios que a invenção da roda trouxe p o arco e flecha. Entenderam ? nem eu………….kkkkkkkkk

    • Geninha,

      são os oportunistas de sempre misturando canjica com sarapatel mesmo, um deles tem lugar cativo lá na torcida da terceira idade do Voltaço e só entra neste espaço para falar besteiras, o outro foi flagrado fazendo um comentário Ctrl c Ctrl v de uma famosa pulicação.

    • Quer dizer q são vovós saudosistas. Ah, então estão perdoadas kkkkkkk

    • Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

      É mais fácil detratar do que argumentar. Só mesmo criaturas desprovidas de intelecto não enxergam nexo, por incapacidade de processar informação nesses cérebros rudimentares…

    • Smilodon,
      Percebe-se pelos seus comentários aqui que vc é uma pessoa culta, mas de vez em quando vc lança umas idéias de jerico e nós não somos obrigados a concordar com elas, mas o que sempre tem nos seus comentários apesar de alguns serem razoáveis, são doses de prepotência e arrogância, é como se vc pensasse ser a última bolacha do pacote.

    • Smilodon Tacinus – O Emir Cicutiano: Foi o que eu achei também kkkkkkkk

    • Parabéns Ratão, você come queijo, logo tem bom alimento e sabe pensar bem, mas devemos ter pena da geninha, do Xerife e do XIMBICA, pois se alimentam só de mortadela… e com o tempo vão perdendo a memória; perdendo a capacidade de raciocinar e a única reflexão que conseguem é aquela horripilante quando acordam e se olham no espelho!
      Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”….

    • Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

      Xerife, não obrigo ninguém a concordar com o que eu falo e nem quero isso, mas se faltar com o respeito vai tomar em pé mesmo, e sempre deixo isso claro nas entrelinhas… Leia as opiniões aí e veja quem é o prepotente afinal. Escrever corretamente não faz ninguém melhor que ninguém, muito menos “metido” e “prepotente”. Isso não passa de melindre de que sem sente inferiorizado…

    • Arrasou Smilodon!!! Complexo de inferioridade é f…

  8. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Paraná pesquisas, 77% dos brasileiros estão mais interessados na Operação Lava-Jato do que na Copa do Mundo, que será realizado na Rússia! Apenas 10% dos entrevistados disseram que se interessam mais pela Copa do Mundo…. E 10% disseram que não se interessam por nenhum dos temas!
    Eu fico feliz com essa entrevista, pois mostra que o brasileiro está mais atento, logo vai votar melhor! Esse é o único ítem que eu agradeço ao PT e ao Lula, pois eles fizeram tantas lambanças, tanta corrupção, tanta sacanagem com o povo brasileiro, que mudou até o comportamento político do povo, pois o sofrimento faz a pessoa amadurecer e se tornar uma pessoa mais consciente e cidadã!
    Esse interesse pela política foi despertado pela indignação, pela grande roubalheira do PT, pelos quatorze anos que o PT roubou as estatais brasileiras e o povo quer ver esse pessoal atrás das grades!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “a gente faz apenas uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT!”…

    • Guto, que gracinha minha criança! Só o PT roubou né? Antes dele não havia corrupção e FHC é um santo. Viva o Moro, amemos ao pato da CBF, MBL é um movimento que revolucionou o Brasil e eu sou o maior idiota do mundo…

    • kkkkkk amei sua resposta Vai Vendo homônimo do bem! Esse Guto é um coxinha idiota e diz asneiras como quem fala verdades absolutas!

  9. Além de tudo que já foi aqui exposto, acrescento também os jogadores convocados, em sua maioria, jogam na Europa, o que de certo modo influência também, na mobilização dos torcedores. E na última COPA o HUMILHANTE sete a um, ainda causa impacto.Se essa seleção não deslanchar logo, nem audiência de TV teremos.

  10. Pagador de impostos

    Muito legal. Bom texto. Só não entendo o torcer de longe. Você pode ficar em frente à televisão, ou (ainda há quem faça isso), ouvindo pelo rádio e a sua “torcida” em nada vai ajudar o time lá na Europa. Ficar se esgoelando, gritando e pulando para que o time “vá pra frente”, para que o jogador faça isso ou aquilo, é meio esquisito. No estádio, o apoio da torcida até pode ter alguma influência no desempenho dos jogadores, mas de longe, …….

  11. Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

    Podemos utilizar também um terceiro fator aí… Eu vejo o futebol muito parecido com a religião, no que tange ao interesse das pessoas. Antes, mesmo os não-praticantes seguiam o dogma, indo à missas e observando certos preceitos. Hoje, só os mais ferrenhos o fazem, a não ser em ocasiões especiais. Houve uma mercantilização da Palavra em muitas igrejas e denominações cristãs… Tradições, como os enfeites de Natal e a distribuição de doces no dia de São Cosme e São Damião, se rarefazem a cada ano, e eu tenho percebido que isso tem coincidido com o ocaso do interesse do futebol no Brasil… Há um certa analogia, sim, e talvez o motivo seja o mesmo: a internet. Ela tem influenciado a vida das pessoas muito mais do que podemos imaginar…

  12. Smilodon Tacinus - O Emir Cicutiano

    Bela crônica…

    O interesse pelo futebol brasileiro diminuiu. Virou um esporte de elite, para se ver pela TV, devido aos preços dos ingressos dos jogos dos torneios principais. Hoje há muita gente acompanhando jogos e consumindo produtos do Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Liverpool, por aqui. O nível do futebol das competições por aqui decaiu muito, só os clubes com jogadores destacados têm enchido os estádios…

    Além disso, o futebol, assim como o vôlei, basquete, automobilismo e outros esportes, acabaram perdendo terreno para a internet como forma de entretenimento “self-service” em tempo integral. Antes já havia novelas, filmes e seriados, mas todos eram interrompidos, na maioria dos canais, para a transmissão dos jogos da Copa, o que obrigava as pessoas, até quem não curte futebol, a “entrar no clima”… Com a internet e suas redes sociais, não é mais preciso pintar o muro, enfeitar a casa e vestir a camisa para se demonstrar isso…

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