sexta-feira, 15 de novembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Lazer / A roupa que vamos usar no futuro

A roupa que vamos usar no futuro

Matéria publicada em 21 de outubro de 2019, 09:31 horas

 


Ficção científica antecipou até a invenção da minissaia e outras modas siderais

O maior desafio que um autor de ficção científica pode enfrentar é imaginar a roupa que as pessoas vão usar daqui cem ou duzentos anos. A tecnologia é muito mais fácil de prever, partindo das inovações que estão ocorrendo no presente. Mas, a moda evolui de modo aleatório e caótico. É por isso que os filmes de Star Wars vestem seus personagens com roupas de samurai ou de cowboys do faroeste. Como aquele traje que o personagem do Han Solo usa a bordo da Millenium Falcon.
Apesar das dificuldades os desenhistas de produção as vezes conseguem bancar os profetas. É o caso da minissaia que apareceu no filme “Planeta Proibido”, de 1956, uma década antes de ser reinventada na Inglaterra dos anos 60. “Planeta Proibido” é uma versão espacial da peça “A Tempestade” de Shakespeare. E serviu de inspiração para o seriado “Jornada nas Estrelas” (Star Trek), cujo criador, Gene Rodemberry, copiou tudo o que pode do filme de 1956: A nave, as armas de raios, as minissaias e os tripulantes.
A moda atual da calça legging também foi antecipada pelos filmes “B” da década de 1960, como “Passagem para o futuro” (1964) do diretor Ib Melchior, que mostra as mulheres do ano 2071 usando umas leggings brancas. Ele errou por meros sessenta anos. Uma coisa que nenhum filme de ficção científica previu foi o apogeu do jeans em pleno século XXI. Ninguém poderia imaginar que um tipo de vestimenta criada na época do faroeste seria onipresente nas ruas do século XXI.
Um erro comum é projetar a moda do presente no futuro. Nem o clássico “2001: Uma Odisseia no Espaço” escapou dele. O desenhista de produção Hardy Amis colocou as “espaço moças” de 2001 usando uns trajes brancos, com umas toucas enormes, inspirados na alta costura dos anos de 1960. Quando o ano 2001 chegou as mulheres a bordo da Estação Espacial Internacional usavam shorts e camisetas bem convencionais.

Inspirado

Mais inspirado foi o produtor Gerry Anderson em seu seriado “UFO”, filmado na mesma época do 2001. A estilista da série, Sylvia Anderson, bolou umas roupas, tipo “rede” para os tripulantes do submarino Skydiver. Devia ser muito quente naquele submarino para os tripulantes precisarem de um traje tão ventilado.
Um filme recente, “Passageiros”, com a Jennifer Lawrence e o Chris Pratt, usou uma solução semelhante na cena em que a heroína vai nadar na piscina da nave espacial. Jennifer Lawrence usa um maiô rendado razoavelmente futurista. Bem melhor que o da série “Jornada nas Estrelas A Nova missão” onde a esposa do herói vai a praia usando um biquíni que seria antiquado nos dias de hoje. Biquínis no ano de 2200 é muita falta de imaginação. Talvez as banhistas do século XXIII usem uma pintura corporal, ou uma pele cibernética inteligente.
Hoje em dia os futurólogos da moda falam muito em tecnologia que se veste. Em inglês, “wearable technology”. A ideia é que os aparelhos eletrônicos que usamos, como celulares e fones de ouvido, sejam incorporados nas roupas no futuro. Um pioneiro neste campo foi o artista futurista Syd Mead, que trabalhou em filmes famosos como “Blade Runner” e “Tron”. Mead acha que, daqui cem anos, as pessoas vão usar uns capacetes eletrônicos que manterão todo mundo conectado o tempo todo.
As roupas serão trajes eletrônicos que levarão à falência as academias de ginástica. Estimulando a musculatura do usuário com sinais eletrônicos acabando com gordurinhas e celulites. As mulheres vão adorar.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

2 comentários

  1. Avatar
    Morador de Volta Redonda

    Tô nem aí com essa preocupação irrelevante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Untitled Document