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O grande fracasso do Oscar 2021

Matéria publicada em 30 de abril de 2021, 15:18 horas

 


Audiência foi a pior em toda a história do prêmio

Nomadland: Melhor atriz e melhor direção

Nem a festa do Oscar conseguiu sair incólume da pandemia. A cerimônia, exibida no último domingo, teve apenas 9,8 milhões de espectadores no mundo inteiro. Uma queda vertiginosa comparada com os 30 milhões de pessoas que costumavam assistir a entrega das estatuetas. No ano passado, quando o Covid-19 estava começando a mostrar as suas garras, a cerimônia conseguiu reunir 23 milhões de pessoas diante das tvs. Comparada com a audiência do domingo último, foi uma redução de quase 60%. Se o Oscar fosse um programa normal de televisão já teria sido cancelado pela emissora.

Os cinéfilos já apresentaram vários motivos para o desinteresse do público. Um deles teria sido a ausência de produções de grande apelo popular. Como foi o caso do “Pantera Negra” e do “Titanic” em tempos passados. Outro teria sido a característica menos glamorosa da edição 2021, que não teve grandes estrelas desfilando pelo tapete vermelho com seus vestidos e joias de grife. Este ano a cerimônia foi realizada em vários locais diferentes, com o centro em uma antiga estação de trem, a Union Station de Los Angeles. Ela tomou o lugar dos antigos teatros por ter mais espaço para garantir o distanciamento necessário.

E como se não bastassem todos esses problemas, o Oscar2021 teve a exibição proibida na China, que tem uma das maiores audiências do planeta. O governo chinês não gostou da indicação de um curta-metragem que aborda os protestos pela liberdade em Hong Kong. E para irritar ainda mais o governo de Pequim, a favorita da noite era a cineasta chinesa, radicada nos Estados Unidos, Chloé Zhao. Ela fez críticas ao governo chinês que a acusa de ingratidão com sua terra natal.

Zhao foi uma das grandes vencedoras do Oscar 2021. Seu filme, Nomadland, foi considerado o melhor do ano, ela ficou com a estatueta de melhor direção e ainda deu o Oscar de melhor atriz para a protagonista do filme, Frances McDormand. Nomadland conta a história de uma mulher que perdeu tudo durante a grande depressão econômica de 2008 e sai pelo país em um carro, procurando meios de sobrevivência. É meio que o lado negro do sonho americano.

Além da Chloé Zhao, a grande vencedora desta 93ª premiação da Academia de Hollywood foi a Netflix. O popular canal de streaming teve sete de suas produções agraciadas com estatuetas. Incluindo “Mank” aquele filme em preto e branco sobre o roteirista Herman Mankiewicz, o roteirista do maior clássico da história do cinema, o “Cidadão Kane” do Orson Welles. O filme ficou com as estatuetas de melhor fotografia e melhor direção de arte. Bem merecidas pela reconstituição perfeita da Hollywood dos anos de 1930. Quando o Oscar estava começando e nem se falava em pandemia.

“A voz suprema dos blues”, outra produção da Netflix ficou com as estatuetas de melhor figurino e melhor maquiagem. A Netflix também faturou na categoria de melhor documentário com o curioso “Professor polvo”. Que conta a história real da amizade entre um mergulhador, o cineasta Craig Foster, e um polvo nas florestas de algas da costa da África do Sul. O filme tem todo um lado ecológico ao defender a preservação desse tipo de vegetação submarina, onde vivem centenas de espécies de animais e que se encontra ameaçada pelo aquecimento global e a depredação dos oceanos.

O veterano Anthony Hopkins ficou com o Oscar de melhor ator por sua interpretação de um homem que luta contra a demência senil no filme “Meu pai”. Devido a pandemia o ator preferiu não comparecer a cerimônia e sugeriu que a Academia fizesse uma entrega virtual do prêmio. Mas os organizadores da cerimônia não gostaram da ideia e Hopkins entrou para a longa lista de atores que não foram receber a estatueta. E como todos esperavam “Soul” ficou com o prêmio de melhor desenho animado e com a estatueta de melhor trilha sonora.

O lado bom de tudo isso é que este ano poderemos ver todos esses filmes nos canais de tv. Sem precisar ir ao cinema.

Jorge Luiz Calife

 

Professor  polvo: O melhor documentário

 

 

 


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