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Enzima projetada por cientistas pode ser a resposta para a reciclagem de plástico

Matéria publicada em 7 de outubro de 2020, 09:58 horas

 


Londres- Em 2018, cientistas dos dois lados do Atlântico projetaram uma enzima para que ela se alimentasse mais rapidamente de plástico.

Agora, a mesma equipe combinou a enzima PETase com a enzima MHETase para acelerar ainda mais o processo de decomposição do termoplástico tereftalato de polietileno, o popular PET que hoje está presente no planeta inteiro, das prateleiras dos supermercados ao estômago de aves marinhas.

A PETase decompõe molecularmente o PET, tornando possível reciclá-lo indefinidamente. A pesquisa, publicada no Proceedings of National Academy of Sciences, usou a mesma bactéria que há 2 anos, pela Inglaterra, trabalharam pesquisadores em engenharia de enzimas liderados pelo biólogo estrutural John McGeehan, diretor do Centro de Inovação de Enzimas (CEI) da Universidade de Portsmouth. A eles se juntaram o engenheiro químico Gregg Beckham e sua equipe interdisciplinar de biólogos, químicos e engenheiros do norte-americano Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL).

Quimera mais eficiente

Se há 2 anos a enzima  PETase foi projetada para devorar plástico 20% mais rapidamente, a combinação dela com a enzima MHETase aumentou a eficiência do processo em três vezes. “Nossos primeiros experimentos mostraram que elas realmente funcionavam melhor em conjunto, então decidimos tentar ligá-las fisicamente. Nossa nova enzima quimérica é até três vezes mais rápida do que as enzimas separadas, abrindo caminhos para mais melhorias”, disse McGeehan.

A pesquisa surge como uma alternativa de baixo custo para a reciclagem do PET, um problema ambiental que precisa urgentemente de uma solução. Segundo o relatório de 2018 do World Wide Fund for Nature, entidade internacional que atua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, todos os anos chegam aos oceanos 10 milhões de toneladas métricas de plástico.

Um século em uma década

Se nada for feito, em uma década haverá o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar por quilômetro quadrado; em 20 anos, serão 29 milhões de toneladas métricas boiando nos oceanos — por ano, os plásticos já matam 1,5 milhão de animais. A humanidade produziu mais matéria plástica nos últimos 10 anos do que em todo o século XX.

Em sua forma natural, a PETase não é rápida o suficiente para tornar comercialmente viável o processo de reciclar as toneladas de garrafas PET descartadas todos os dias. A descoberta do coquetel PETase + MHETase pode ser mais um passo na direção de uma solução para o problema global da poluição por plástico.

Fonte Portal Saneamento Básico*


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