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Medos Modernos

Matéria publicada em 24 de novembro de 2018, 11:41 horas

 


Exposição pode ser conferida somente essa semana Foto: Paulo Dimas

Até a próxima quarta-feira (28), o Espaço das Artes Zélia Arbex, na Vila Santa Cecília, recebe a exposição do artista plástico Victor Frossar, sob o tema “Medos Modernos”. São cerca de 32 trabalhos do artista local, com pinturas em tintas acrílica e giz pastel em telas com e sem molduras, em que ele retrata sentimentos.
– Desde que saiu da caverna até os dias de hoje, o homem tem medo do desconhecido. Eu pensei em ir além do medo natural, óbvio, focando na reação, nos sentimentos que as pessoas expressam. E agradeço a secretaria de Cultura pela oportunidade dada aos artistas – explica Victor.
Estudante do curso de Administração Pública na UFF, campus Aterrado, Victor divide seu tempo entre a faculdade e a produção de suas obras.
– Posso dizer que comecei a me dedicar a arte na minha adolescência. Foi quando eu tive a oportunidade de estudar história da arte, de ir atrás de novos materiais, técnicas, referências e de visitar exposições. Também foi a época em que tive contato com a cena artística independente. Até então, a arte era aquela coisa distante, acessível para poucos. Eu não gostava disso e continuo não gostando, e o meu trabalho reflete isso. Assim, eu percebi que a arte poderia ser acessível, universal e democrática… que pessoas como eu produziam. Foi quando eu me reconheci como artista – lembra.
Suas obras falam de Vozes, Chão de Fábrica, Novos Libertadores da América, Mulher, Homem, Alegoria da Fuga, Gente, Alienante, Eles Não Entendem, Lágrimas são reais, Ruínas, em acrílica sobre papel.
– Eu gosto de experimentar. Posso dizer que a experimentação é a minha técnica principal. Boa parte das ferramentas que uso são feitos por mim. Uso todo tipo de tinta, tecido, papel, etc. É através das minhas obras que eu exponho meus questionamentos, pensamentos e críticas. Meu trabalhos são a realidade sob o meu prisma, são a ficção sob o prisma da realidade. São a minha voz – destaca.
O artista conta ainda que iniciou os trabalhos das peças desta mostra em 2016, com o objetivo de trazer à tona questionamentos, conflitos e contradições inerentes ao ‘ser’, ‘existir’ e ‘coexistir’ em sociedade, explorando a consciência do perigo, a ansiedade irracional gerada pelo medo e pela busca do desconhecido.
– As peças fazem parte da minha série de trabalhos chamada Medos Modernos (que dá o nome a exposição). Busco expor o contraste entre as problemáticas atuais e as nossas reações mais primitivas. A série tem o intuito de despertar nos espectadores suas lembranças, seus questionamentos e seus sentimentos próprios relativos às suas vivências – presentes e passadas – perante ao incógnito. Em resumo, é uma experimentação sobre ‘ser’ nos tempos atuais, é sobre questionar e ser questionado – afirma.
Esta é a primeira vez que o artista expõe em uma grande galeria da cidade como o Zélia Arbex, e ao falar do fato não escondeu sua felicidade e desejo de alcançar voos mais altos.
– É a minha primeira exposição numa galeria convencional, fora do circuito independente ou das ruas. Fico feliz por chegar a outros espaços, com a expectativa de ampliar o alcance da minha mensagem – finaliza.

Visibilidade para um grande público
Este é o primeiro trabalho em exposição de artistas que participaram do edital de Chamamento Público para as pessoas interessadas em ocupar com arte os espaços públicos culturais do município, lançado este ano pela Secretaria Municipal de Cultura. Todos que se inscreveram e foram aprovados terão 30 dias para mostrar os seus trabalhos artísticos. As exposições vão até abril de 2019, quando novo edital de chamamento será lançado pela Secretaria.
O edital de ocupação dos espaços culturais fez o chamamento nas redes sociais e no jornal oficial do município, convidando fotógrafos, artistas plásticos e visuais, amadores iniciantes e profissionais, para ocupar por 30 dias os espaços culturais, públicos, do município. O Chamamento foi para o Zélia Arbex e Memorial Zumbi dos Palmares.
O prefeito Samuca Silva comentou a construção desta nova política de incentivo aos artistas da cidade e região.
– Estamos abrindo oportunidades para todos se inscreverem e participar ativamente da política cultural da cidade, junto com o conselho municipal de Cultura. O papel do poder público é atuar como um agente de fomento na ocupação dos espaços públicos, democraticamente. Estes espaços culturais são vitrines, como o Zélia Arbex e o Memorial Zumbi, para a visitação pública nas áreas centrais e de fácil acesso – comenta Samuca.
A secretária de Cultura, Aline Ribeiro, esteve na exposição e parabenizou o expositor Victor Frossard, agradecendo pela sua participação no Chamamento Cultural, por ter acreditado com a sua inscrição na construção de uma nova política pública cultural para Volta Redonda.
– O Victor é o primeiro artista que ocupa o Espaço das Artes Zélia Arbex na relação do grupo de artistas inscritos. O edital de Chamamento Cultural foi importante para democratizar o espaço do Zélia Arbex, sendo uma ferramenta importante para beneficiar os novos talentos e os artistas tradicionais, mais experientes – diz Aline.


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3 comentários

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    Esse cara deve tomar chá de cogumelo ou santo Daime ,viaja sem pagar pedágio.

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    Você deve ter uma péssima memória,em um tempo em que não havia rede social , milhões de pessoas foram às ruas pedindo diretas já, o que de certa maneira era um aviso ao governo militar da época.

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    Há outra espécie de medo, mais difundida do que se imagina: o medo das realidades, que faz muitos mergulharem nas drogas, e se poderia inverter a célebre fórmula de Karl Marx e dizer que o ópio se tornou a religião do povo – e que conduz os adultos a defender-se do real por meio de tela cinematográfica, ou da TV, que transformam o mundo exterior em estado de ficção, de sonho ou de pesadelo, que um botão ilumina ou apaga….
    Os Estados têm medo dos próprios cidadãos ou pessoas que mantêm prisioneiros, basta lembrar do levante do povo brasileiro em 2013 saindo às ruas e pedindo a cabeça da presidenta… Dilma Roussef ficou com medo, pois foi a primeira vez no Brasil, que milhões de pessoas saíram às ruas para dizer “não” ao sistema! E Dilma estava certa, pois esse grito rouca da sociedade tirou a Anta do Palácio, e agora a Anta só tem as florestas do norte da Colômbia, na fronteira com a Venezuela, como habitat protegido para ela, pois lá ainda há os companheiros das Farcs, que a tratam como heroína!
    Como diria o ex-Senador Mão Santa: “A ignorância é audaciosa!”…

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